sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Precisar algo ou Precisar de algo

Precisar algo ou Precisar de algo

Conquanto utilizemos o verbo "precisar" quase que exclusivamente com a preposição "de" - exceto quando o complemento seja uma oração - ela pode ser omitida sem prejuízo ao sentido da oração. 

É tão adequado usar 

"Precisamos homens honestos na política brasileira" 

quanto 

"Precisamos de homens honestos na política brasileira". 

Observe o que registra o dicionário Michaelis:

Ter precisão ou necessidade; carecer:

- Quando precisar algum dinheiro, não tenha constrangimento em pedir. 
- “Há uma luzinha intermitente na casa principal do sítio, mas não preciso dela para chegar ao olho do vale, onde eu pensava que nascia a noite”.

O mesmo ocorre com o verbo "necessitar", também segundo o dicionário Michaelis, no sentido de "ter ou sentir necessidade de; passar necessidade":

- Necessita dormir depois do almoço. 
- Amâncio estava a cair de cansaço, necessitando de repouso. 

No sentido de "fazer exigência" e "fazer que seja necessário", o verbo "necessitar" só deve ser utilizado sem a preposição, ainda de acordo com o dicionário Michaelis: 

- O contrato vencido necessita revisão urgente.
- Uma boa educação necessita muito investimento.

Outros exemplos:

- Os livros que preciso estão caríssimos. 
- Os livros de que preciso estão caríssimos. 
- Necessita-se que se votem em pessoas íntegras. 
- Necessita-se de que se votem em pessoas íntegras. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Fez-se noite

O Estadão apresentou na coluna "há cem anos" a seguinte frase:

"Nazaret...não pôde terminar a prova por ter sido feito noite."

Ao ler a frase, veio-me à mente os versos de Milton Nascimento: "Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver". 

Na frase do Estadão há uma locução verbal na voz passiva, o que indica que o sujeito sofre a ação: "algo ter sido feito por alguém = alguém ter feito algo". 

Ocorre, porém, que não há ação sendo praticada, pois ninguém fez a noite! A frase, então, está, inadequada. 

O que o autor deveria ter usado é o verbo fazer pronominal - fazer-se - que tem, dentre outros, o significado de "tornar-se, ficar, vir a ser".   

- "... fez-se noite em meu viver" = meu viver tornou-se noite. 
- Não pôde terminar a prova por ter-se feito noite = Não pôde terminar a prova  por ter-se tornado noite. 

Os verbos "tornar-se, ficar e ser" são denominados de verbos de ligação, os que indicam uma qualidade, um modo de ser, ou mudança de qualidade ou do modo de ser. O verbo "fazer-se", nesses casos também o é. 

Modernamente não o usamos apesar de ser adequado ao padrão culto. Preferimos os verbos "ser" e "estar". Certamente, um jornal daria a notícia com uma frase parecida com estas:

- Não pôde terminar a prova porque já era noite. 
- Não pôde terminar a prova porque já estava noite. 
- Não pôde terminar a prova porque já estava escuro.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

De o / por o

Quando as preposições "de", "em" e "por" se juntarem a substantivo, ocorrerá a contração delas com o artigo à frente: do(s), da(s), no(s), na(s), pelo(s), pela(s). 
O mesmo ocorre com "de" e "em" com "ele(s), ela(s), aquele(s), aquela(s), aquilo: daquele, naquelas, etc. 

Ocorre, porém, que, se o substantivo diante de "de" ou de "por" ou o pronome diante de "de" exercerem a função de sujeito de verbo no infinitivo (terminado em -ar, -er ou -ir), não haverá a contração entre a preposição e o artigo ou entre a preposição e o pronome, e eles ficarão separados: de o, por as, de ela, de aquilo:

- Por a presidenta* ter sido afastada, o vice-presidente assumiu o cargo. 
- Está na hora de o Brasil avançar. 
- Apesar de aquilo ser o ideal, faremos diferente. 

* "Presidenta", sim. Vocábulo registrado em todos os dicionários da Língua Portuguesa e no Volp, o documento oficial do nosso idioma, e utilizado, segundo o Priberam, dicionário legitimamente português, por Machado de Assis na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas. Veja o que Machado de Assis escreveu: "Na verdade, um presidente, uma presidenta, um secretário, era resolver as coisas de um modo administrativo."


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Mais bem ou melhor?

Quando se comparam dois elementos usando o particípio de um verbo - terminado em -ado ou -ido -, deve-se usar "mais bem" ou "mais mal" em vez de "melhor" e  "pior":

- Ele estava mais bem preparado que os demais. 
- Chegamos mais bem animados que ela. 

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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O verbo haver no plural

O internauta Fito Macuacua, de Inhambane, Moçambique, perguntou-me quando o verbo "haver" pode ser usado no plural. Vamos à resposta, então:

O verbo "haver" poderá flexionar-se quando for auxiliar de um tempo verbal composto, que tem como principal um verbo no particípio, terminado em "-ado" ou "-ido":

- Eles haviam estudado muito. 
- Se nós nos houvéssemos preparado melhor...

Também poderá flexionar-se quando tiver, segundo o dicionário Michaelis, os seguintes significados:

* Formar juízo ou opinião a respeito de alguém ou de alguma coisa; considerar, entender, julgar: 

- Os amigos houveram ser melhor pararem de discutir. 
- Houvemos por suficiente a justificativa dela.

* Comportar‑se de determinada maneira; conduzir‑se, portar‑se. 

Nesse caso será verbo pronominal - "haver-se". 

- Os alunos houveram-se bem durante os debates. 

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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Amar o próximo x Amar a Deus

Por que em "amar o próximo" não há a preposição "a" e em "amar a Deus" há-a?

O verbo "amar" é transitivo direto, ou seja, exige complemento sem preposição - quem ama, ama algo / alguém:

- Ela ama seus cachorros. 
- Amamos os nossos amigos. 
- Ama o próximo como a ti mesmo. 

Ocorre, porém, que há nove casos em que o complemento de um verbo transitivo direto exige preposição. Um deles é o substantivo próprio "Deus", que exige a preposicão "a" quando exercer a função de objeto direto. 
Por isso deve-se escrever "Ama-se a Deus", "Amar a Deus". 

Outro caso é o dos pronomes oblíquos tônicos, mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas. Sempre que exercerem a função de objeto direto exigem a preposição "a", por isso o uso de "a ti mesmo" na última frase dos exemplos. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Olimpíadas

Tanto se pode chamar a competição que ocorre no Brasil de "os jogos olímpicos" - acento no "LÍM" - quanto de "a olimpíada" - acento no "PÍ" - ou ainda de "as olimpíadas" - acento no"PÍ". 

O ginasta que realiza exercícios físicos em aparelhos específicos tanto pode ser 
denominado de "acrobata", sem acento e com a tonicidade no "BA", quanto "acróbata", com acento e com a tonicidade no "CRÓ". 

Quando um atleta ultrapassa uma marca mundial ou olímpica, diz-se que ele bateu o "recorde", palavra que se escreve sem acento e cuja pronúncia é idêntica à de "recorte". 

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domingo, 7 de agosto de 2016

Parece ser

Há uma particularidade com o verbo "parecer", quanto à concordância: Se, à sua frente, surgir outro verbo no infinitivo - terminado em -ar, -er, -ir -, e o sujeito estiver no plural, há duas possibilidades de concordância: 

1) "Parecer" no plural e o infinitivo não flexionado:

- Vinte e quatro horas parecem ser uma eternidade.

Aqui há uma locução verbal - parece ser; assim sendo, o verbo auxiliar - parecer - tem de concordar com o sujeito, e o principal - ser - ficar não flexionado, como ocorre com todas as locuções verbais.

2) "Parecer" no singular e o infinitivo flexionado:

- Vinte e quatro horas parece serem uma eternidade. 

Aqui há duas orações: 

..."parece"...
... "vinte e quatro horas serem uma eternidade". 

Essa frase equivale a esta:

- Parece que vinte e quatro horas são uma eternidade. 

Houve a retirada da conjunção integrante "que" e a mudança do verbo  "ser" para o infinitivo. A concordância, porém, se mantém. Poderia ser escrita assim a frase:

- Parece vinte e quatro horas serem uma eternidade. 
- Parece serem vinte e quatro horas uma eternidade.

Outros exemplos:

- Os vereadores parecem querer aumento de salário. 
- Parece que os vereadores querem aumento de salário. 
- Parece os vereadores quererem aumento de salário. 
- Os vereadores parece quererem aumento de salário. 

sábado, 6 de agosto de 2016

Dum, duma, num, numa

Preposição é um elemento de ligação entre dois termos de oração ou período. As mais comuns são estas:

- a, para, em, de, por, com, sem

Elas se unem a artigos ou a pronomes por meio de combinação - quando os termos apenas se unem, sem perda da integridade ortográfica - ou por contração - quando há perda da integridade ortográfica. 

Combinação:

a + o, os, onde = ao, aos, aonde

Contração 

a + a, as, aquele(s), aquela(s), aquilo = à, às, àquele(s), àquela(s), àquilo 

a + aqui, ali, lá = aqui, ali, lá - A preposição "a" desaparece. 

em + o, a, os, as, um, uns, uma(s), aquele(s), aquela(s), aquilo = no, na, nos, nas, num, numa, nuns, numas, naquele(s), naquela(s), naquilo 

de + o, a, os, as, um, uns, uma(s), onde, aqui, ali, aquele(s), aquela(s), aquilo = do, da, dos, das, dum, duma, duns, dumas, donde, daqui, dali, daquele(s), daquela(s), daquilo

por + o, a, os, as = pelo, pela, pelos, pelas 

De todas as junções, as mais inusitadas são, certamente, as contrações de "em" e de "de" com "um, uma, uns, umas: num, numa, nuns, numas, dum, duma, duns, dumas:

- Acreditei numas mentiras e duvidei dumas verdades. 

Essas contrações não são obrigatórias; as preposições e os artigos indefinidos podem ficar separados:

- Acreditei em umas mentiras e duvidei de umas verdades. 

Nas outras contrações não há essa facultatibilidade:

- Acreditei nas mentiras dele e duvidei das verdades. 

As junções "nas" e "das" são obrigatórias. 

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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Há-as

O verbo haver, quando significar "existir" ou acontecer" ou quando indicar tempo decorrido, ficará obrigatoriamente no singular: "Houve problemas"; "Havia soluções"; "Há oportunidades". 
Nessas acepções, é inadequado substituí-lo por "ter": "Houve times com os mesmos problemas", e não "Teve times..."

A novidade de hoje é quanto à transitividade de "haver" nesses sentidos: chamamo-lo de verbo transitivo direto, pois exige complemento sem preposição, e de impessoal, pois não tem sujeito. 
Nas frases apresentadas, "problemas, soluções, oportunidades e times" são os complementos de "haver", chamados de objeto direto. 

Os verbos "existir" e "acontecer" são chamados de intransitivos, pois não têm complemento, mas têm sujeito. 
O sujeito de "existir" e de "acontecer" é o complemento de "haver". 
Caso se substitua "haver" por "existir" ou "acontecer", eles deverão ficar no plural, pois seus sujeitos assim estarão:  "Aconteceram problemas"; "Existiam soluções"; "Existem oportunidades"; "Existiram times". 

Quando um substantivo for sujeito, será representado pelos pronomes "ele, ela, eles, elas", e quando objeto direto, por "o, a, os, as". 

As frases apresentadas com "existir" e  "acontecer", com o sujeito representado por pronome, ficarão assim:

- Aconteceram problemas - Eles aconteceram. 
- Existiam soluções - Elas existiam. 
- Existem oportunidades - Elas existem. 
- Existiram times - Eles existiram. 

As frases apresentadas com "haver", com o complemento representado por pronome, ficarão assim:

- Houve problemas - Houve-os. 
- Havia soluções - Havia-as. 
- Há oportunidades - Há-as. 
- Houve times - Houve-os. 

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Ter = haver?

Carlos Drummond de Andrade, em 1930, retratou um uso de inadequação já corrente no Português brasileiro daquela época: o verbo "ter" no sentido de "existir": "tinha uma pedra no meio do caminho". 

A ele isso era permitido em virtude da licença poética, uma espécie de autorização aos poetas e compositores de usar inadequações ao idioma padrão. 

Aquele que intenciona utilizar a língua em sua plenitude deve, porém, evitar tal uso, embora já se tenha tornado praticamente um padrão brasileiro. Todos os dias ouvimos frases como "teve pessoas que...", "tiveram jogadores que...". 

O verbo "ter" significa, basicamente, "possuir" com algumas variantes. Jamais "existir". 
Um verbo sinônimo de "existir" é "haver", que, diferentemente de "existir", que tem sujeito e com ele concorda, é impessoal e fica na terceira pessoa do singular. 

Veja alguns exemplos:

- O Brasil tem inúmeras praias maravilhosas. 
Nessa frase o sentido é o de "possuir": O Brasil possui praias. 

- No Brasil há inúmeras praias maravilhosas. 
Nessa frase o sentido é o de "existir", por isso "haver" fica no singular: No Brasil existem praias. 

Um estudante curioso pode perguntar-se por que passou a ocorrer essa inadequação. Donde surgiu esse uso inusitado? O motivo disso é o seguinte:

Existe uma possibilidade de os verbos "ter" e "haver" serem 'sinônimos': quando forem verbos auxiliares de locução verbal que forma tempo verbal composto. O verbo principal sempre estará no particípio - forma terminada em "-ado" ou "-ido" ou outras terminações irregulares, como em "escrito, posto, vindo":

- Ele tinha se salvado. 
- Ele havia se salvado. 

Ambas as frases têm o mesmo sentido e adequação gramatical. O cidadão incauto, então, acreditando que "ter" e "haver" são sinônimos, usa-os como tal em todos os sentidos. Não o são, porém.  

Usei, no terceiro parágrafo a locução "... já se tenha tornado...". Poderia ter usado "... já se haja tornado...". 

Resumindo: "Ter" e "haver" só são sinônimos quando à frente surgir um verbo no particípio: 

- Ele morreu por ter caído do andaime. 
- Ele morreu por haver caído do andaime. 

Em nenhum outro sentido "ter" e "haver" são sinônimos. "Ter" significa "possuir"; "haver" significa "existir" ou "acontecer", portanto Carlos Drummond usou a forma popular. Se ele tivesse querido escrever de acordo com o padrão culto da Língua, deveria haver escrito assim:

- Havia uma pedra no meio do caminho. 

E as frases que ouvimos todos os dias deveriam ser assim escritas:

... houve pessoas que...
... houve jogadores que...

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Houve ou houveram?

O verbo "haver" apresenta uma dificuldade aos usuários da Língua quanto à sua concordância: Enquanto a maioria dos verbos concorda com o sujeito da oração, ele e pouquíssimos outros, em alguns casos, não têm sujeito com o qual possam concordar e, por isso, têm de ser conjugados na terceira pessoa do singular. Nesses casos serão denominados de verbos impessoais e participarão de oração sem sujeito. 

O verbo "haver" será impessoal quando significar "existir" ou "acontecer" ou quando indicar tempo decorrido. Nesses casos, então, o adequado é conjugá-lo sempre no singular. "Existir" e "acontecer" não são impessoais, portanto concordam com o sujeito em número e pessoa. Observe estes exemplos:

- Sempre existiram pessoas impolutas. 

O núcleo do sujeito de "existir" é "pessoas", substantivo plural. O verbo, portanto, ficará na terceira pessoa do plural. Se, porém, no lugar de "existir", se usar "haver", ele não concordará com o substantivo "pessoas", que não é seu sujeito, e sim seu complemento. "Haver" ficará no singular:

- Sempre houve pessoas impolutas.

Veja estes outros exemplos:

- Torçamos para que não aconteçam outros atentados terroristas. 

O substantivo "atentados" é o sujeito de "acontecer", por isso este fica no plural. 

- Torçamos para que não haja outros atentados terroristas.

"Haver" significa "acontecer", por isso é impessoal e fica no singular. 

- Há dez anos que não o vejo. 

Nessa frase, há a indicação de tempo decorrido. 
Outro verbo que será impessoal ao indicar tempo decorrido é "fazer". Também ficará no singular:

- Faz dez anos que não o vejo.

Quando se usar "haver" na indicação de tempo decorrido, não se poderá usar o advérbio "atrás". Ou se usa um ou o outro:

- Há dez dias o encontrei. 
- Dez dias atrás o encontrei. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Tenho ganhado, gastado e pagado.

Os verbos "ganhar, gastar e pagar" fazem parte de um grupo de verbos denominados de abundantes, os que, segundo o dicionário Michaelis, "apresentam duas ou mais formas de igual valor e função, como ocorre geralmente no particípio". É o que acontece com eles: possuem dois particípios: ganhado e ganho; gastado e gasto; pagado e pago. 

As formas "ganhado, gastado e pagado" são usadas junto de "ter e haver", formando locução verbal na voz ativa, ou seja, com o sujeito praticando a ação verbal:

- Ele tem ganhado muito dinheiro. 
- Ele tem gastado muito dinheiro. 
- Ele não havia pagado as contas. 

As formas "ganho, gasto e pago" são usadas junto de "ser e estar" - mesmo havendo "ter" ou "haver" -, formando locução verbal na voz passiva analítica, ou seja, com o sujeito sofrendo a ação verbal:

- O jogo foi ganho pelo Santos. 
- O dinheiro foi gasto com parcimônia. 
- O dinheiro tinha sido gasto com parcimônia. 
- A dívida foi paga. 

Existe um problema quanto a essas formas: em meados de 1990, as formas verbais "ganhado, gastado e pagado" tinham caído em desuso. Os livros de Gramática, então, recomendavam que se usasse somente "ganho, gasto e pago", seja na voz passiva, seja na voz ativa. 

Com o advento da Reforma Ortográfica, o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras voltou a registrar como o adequado para a voz ativa "ganhado, gastado e pagado" e para a voz passiva "ganho, gasto e pago". 


sexta-feira, 29 de julho de 2016

Onde, aonde, donde e de onde

O advérbio ou pronome relativo "onde" indica circunstância de lugar em que se exige a preposicão "em":

- Onde estará a princesa? (Está em algum lugar)
- A escola onde estive ontem é excelente! (Estive em algum lugar)

Na indicação de destino, com os verbos "ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer, dirigir-se", que exigem a preposição "a", no lugar de "onde" usa-se "aonde":

- Aonde você foi? (Foi a algum lugar)
- A escola aonde fui é excelente. (Fui a algum lugar)

Na indicação de procedência, origem, com verbos que exigem a preposição "de", no lugar de "onde" usa-se "donde". Pode-se também usar separadamente  "de onde":

- Donde surgiu você? (Surgiu de algum lugar)
- A cidade donde cheguei é magnífica. (Cheguei de algum lugar)

Dias desses disseram-me que uma professora corrigiu um texto dum aluno que havia usado "donde" alegando que tal palavra tinha caído em desuso. Ocorre, porém, que, apesar de ser pouco usada, é lícito seu uso. Infelizmente estava equivocada a professora. 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Das 7h às 8h / De 7h a 8h

Já vimos que o adequado, quanto aos dias da semana, é escrever sem crase um intervalo de tempo de um dia a outro, como "de segunda a sexta". E num intervalo de tempo de uma hora a outra? A regra é a mesma? 

Deve-se observar a primeira hora apresentada. Se houver artigo antes da primeira, haverá antes da segunda também; se não houver artigo antes da primeira, tampouco haverá antes da segunda. Por exemplo:

- As aulas ocorrem das 8h às 12h. 

Como antes de "8h" há artigo - "das = de (preposição) + as (artigo) -, antes de "12h" também o haverá, juntamente com a preposição "a", por isso o acento indicador de crase. 

- As aulas ocorrem de 8h a 12h. 

Como antes de "8h" não há artigo, e sim somente a preposição "de", antes de "12h" também não haverá, e sim só a preposição "a". Não há, portanto, o acento indicador de crase. 

Sabe aqueles fôlderes de eventos, congressos e conferências? E mesmo os horários de aulas afixados em editais? Além das duas possibilidades vistas, há uma terceira, que é a não utilização de preposição nem de artigo antes da primeira hora e só a preposição "a", sem crase, antes da segunda. Por exemplo:

- Das 8h às 12h. 
- De 8h a 12h. 
- 8h a 12h. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Segunda a Sexta

Tenho notado uma inadequação gramatical nos estabelecimentos comerciais de Londrina quanto ao uso do acento indicador de crase entre os nomes dos dias da semana quando se determina um intervalo de tempo de um dia a outro. 

Qual o adequado? "de segunda a sexta" ou "de segunda à sexta"?

Deve-se observar o primeiro dia apresentado. Se houver artigo antes dele, haverá antes do segundo também; se não houver artigo antes do primeiro, tampouco haverá antes do segundo. Por exemplo:

- Da primeira segunda-feira do mês à segunda terça-feira, haverá uma promoção...

Como antes de "segunda-feira" há artigo - "da = de (preposição) + a (artigo) -, antes de "terça-feira" também o haverá, juntamente com a preposição "a", por isso o acento indicador de crase. Convenhamos que dificilmente se escreverá frase como essa. 

- Descontos de 30% de segunda a sexta. 

Como antes de "segunda" não há artigo, e sim somente a preposição "de", antes de "sexta" também não haverá, e sim só a preposição "a". Não há, portanto, o acento indicador de crase. 

terça-feira, 26 de julho de 2016

Os avós, as avós e os avôs.

Hoje é dia dos avós.
Os homens são os avôs, as mulheres, as avós e os homens e as mulheres, os avós.

...e nem...

Conjunção é a classe de palavras que serve para unir palavras ou orações com determinado valor semântico. Por exemplo, "pois" une duas orações indicando explicação; "logo", conclusão; "porém", adversidade. 

Há duas conjunções semelhantes, que, muitas vezes, são usadas, de maneira inadequada, sequencialmente: "e" e "nem". 

Até Milton Nascimento, um dos grandes nomes da MP de todos os tempos, na música "Travessia", cometeu o equívoco - mas ele pode, até por haver a licença poética, permissão para usar o inadequado -:

"Quando você foi embora / Fez-se noite em meu viver / Forte eu sou mas não tem jeito, / Hoje eu tenho que chorar / Minha casa não é minha, / E nem é meu este lugar / Estou só e não resisto, / Muito tenho pra falar"

Observe que, em todos os versos, a sétima sílaba é tônica (O contar sílabas poéticas se chama "escansão". Quando uma sílaba termina em vogal e a subsequente se inicia por vogal átona, conta-se uma só: "noi-teem-meu-vi-ver"; "for-teeu-sou"; "ho-jeeu-te-nho"). 

O único verso em que a sétima não é tônica é o iniciado por "e nem". Isso ocorre exatamente porque Milton foi traído pelo vício de linguagem. Se se tirar o "e", a sétima será a tônica. 

Gramaticalmente, o que ocorre é o seguinte:

A conjunção "e" serve, segundo o dicionário Michaelis, para unir palavras ou orações que apresentam o mesmo valor sintático, indicando adição ou oposição:

- Eu e ela nos encontraremos em breve. (adição)
- Iria lá ontem, e fiquei em casa. (oposição)

A conjunção "nem" liga, ainda segundo o dicionário Michaelis, palavras ou orações em contexto negativo, indicando adição - com o mesmo valor de, principalmente, "e não" - ou alternância:

- Nem montanha nem praia, prefiro vales com rios e corredeiras. (alternância)
- Não ata nem desata. = Não ata e não desata. (adição)
 
Claro está, portanto, que essas conjunções têm valores diversos, não podendo ser usadas no mesmo contexto: "e" é usado em frases afirmativas - com exceção do "e não"; "nem", em negativas.

O uso de "e nem" é inadequado ao Português padrão. 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A partir

Tenho visto, em estabelecimentos comerciais dos mais diversos, uma inadequação  gramatical em virtude das promoções para tentar alavancar as vendas nestes 'tempos bicudos': é o uso do acento grave - a popular "crase" - antes do verbo "partir". 

"Crase" é a fusão de dois elementos idênticos. Quando essa fusão se dá entre a preposição "a" e um artigo ou pronome demonstrativo - a, as, aquele, aquela, aquilo - deve-se usar o acento grave (à):

- Não obedecer às leis de trânsito acarreta multa. 
Nessa frase há a preposição "a" e o artigo "as", pois "quem obedece, obedece a algo" e "leis" é um substantivo feminino plural - as leis. 

- Assisti àquele filme várias vezes. 
Nessa frase há a preposição "a", pois "quem assiste, assiste a algo", e o pronome demonstrativo "aquele". 

Os artigos "a" e  "as" determinam um substantivo feminino. Claro está, portanto, que, se a palavra não for feminina, não haverá artigo e, consequentemente, não poderá haver o acento grave:

- O sol estava a pino. 
O substantivo "pino" é masculino, portanto não há artigo feminino determinando-o. 

- Darei um presente a ela. 
"Ela" é pronome pessoal, não substantivo, portanto não há artigo feminino determinando-o. 

- A partir de hoje, vou-me encontrar com ela toda semana. 
"Partir" é verbo, não substantivo, portanto não há artigo feminino determinando-o. 

- Liquidação! Preços a partir de R$10,00. 
"Partir " é verbo, não substantivo, portanto não há artigo feminino determinando-o. 

Os estabelecimentos comerciais que escrevem "a partir" com acento grave cometem uma inadequação gramatical. Que tal alertá-los quanto a isso? Se assim o fizer, estará prestando um bom serviço à Educação!

sábado, 23 de julho de 2016

Porquê x Por quê

Há quatro maneiras de se escrever o que pronunciamos de uma maneira só: porquê, por quê, por que e porque. Hoje nos ateremos às duas acentuadas:

Quando, antes dele, esteja no meio ou no final da frase, houver artigo - o, os, um, uns -, ou numeral - um, dois... - ou ainda pronome - meu, seu, esse, aquele -, deve-se usar "porquê", junto e com acento, que, com o acento, se transformou em substantivo, por isso pode ser pluralizado: porquês. 

- Não entendi o porquê de sua revolta. 
- Quantos porquês existem na Língua Portuguesa?
- Existem quatro porquês na Língua Portuguesa. 
- Quando falta ao trabalho, sempre tem um porquê na ponta da língua!

Quando o vocábulo "que" estiver sozinho ou em final de frase, será acentuado, independentemente do termo que o anteceda:

- Quê?
- Ri de quê?
- Veio até aqui para quê?
- Ela não respondeu à minha mensagem nem disse por quê.

Observe que, na última frase, se houver o artigo "o", haverá a formação de um substantivo, por isso deve-se usar "porquê":

- Ela não respondeu à minha mensagem nem disse o porquê. 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Por que x Porque

Há várias dicas de Português pela Internet, muitas vezes postadas por alguém de boa vontade, mas sem conhecimento aprofundado da Gramática da Língua Portuguesa, o que pode acarretar um grande problema ao aflito e incauto estudante. 

Um exemplo disso é a dica sobre os usos de "porquê, por quê, por que e porque". É muito comum deparar-se com a "dica infalível" quanto ao uso de "por que", separado e sem acento, a qual diz que é ele que tem de ser usado quando estiver em início de perguntas. 

Essa afirmação estará adequada na maioria das frases, porém há casos em que outro será usado. Observe as seguintes frases:

___________ algumas pessoas apelam a entidades espirituais estranhas para conseguir o que querem?
___________ quer ser aprovado no concurso, ele apela até a entidades espirituais estranhas?

Qual tem de ser utilizado? Ambas as frases são interrogativas; ambas se iniciam por um dos porquês. Segundo a "regra infalível", tem de ser o separado e sem acento, mas somente uma o terá. Vejamos qual:

Usa-se "por que", separado e sem acento, quando "que" for pronome que pode ser substituído por "qual", "qual razão", "qual motivo". Por exemplo:

- Não sei por que ela disse aquilo.
Esse "por que" pode ser substituído por "por qual razão" ou "por qual motivo". 

- Desconheço a razão por que ela disse aquilo.
Esse "por que" pode ser substituído por "pela qual". 

Das frases apresentadas, somente a primeira pode ter a inclusão de "qual", então só ela será escrita por "por que":

- Por que algumas pessoas apelam a entidades espirituais estranhas para conseguir o que querem?
- Por qual razão algumas pessoas apelam a entidades espirituais estranhas para conseguir o que querem?

Na segunda frase não há o pronome "que", e sim há duas orações ligadas pela conjunção "porque", com a inversão delas, ou seja, a oração encabeçada pela conjunção deveria ser a segunda, mas ela inicia o período. Observe a frase na ordem direta:

- Ele apela até a entidades espirituais estranhas porque quer ser aprovado no concurso. 

É, porém, interrogativa, mas nada muda sintaticamente por isso:

- Ele apela até a entidades espirituais estranhas porque quer ser aprovado no concurso?

Com a inversão, a conjunção continua, obviamente, a ser conjunção, portanto deve ser usado "porque", junto e sem acento:

- Porque quer ser aprovado no concurso, ele apela até a entidades espirituais estranhas?

Cuidado, portanto! Não confie em toda e qualquer informação que encontrar pela Internet!!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

éi e ói

Com a Reforma Ortográfica, perderam o acento as palavras cuja penúltima sílaba seja a mais forte - palavra paroxítona - e contenha ditongo aberto "ei" ou "oi". Caso a última sílaba seja a mais forte, o acento se mantém:

- ideia, paranoia, heroico;
- chapéu, céu, herói. 

Houve porém uma mudança no Acordo Ortográfico que afeta essa regra. É a seguinte:

- Deve-se "restabelecer o acento gráfico nos paroxítonos com os ditongos éi e ói quando incluídos na regra geral dos terminados em -r: Méier, destróier."

Ou seja, se a palavra tiver de ser acentuada por outra regra, mantém-se o acento, mesmo que haja "ei" ou  "oi" aberto na penúltima sílaba. 

Como as paroxítonas terminadas em "r" são acentuadas por regra (como em âmbar, fêmur, etc.), "Méier" e "destróier" - e qualquer outra palavra que tenha coincidência de regras - não sofrem mudança alguma, isto é, permanecem com acento. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Ambiguidade

Na Folha de S. Paulo de 18/07/2016, havia a seguinte manchete: 

- "Só privatização está descartada, afirma chefe da Petrobras". 

O que ele disse de fato? Há duas possibilidades de interpretação:

- A privatização da Petrobras é a única ação a ser descartada; outras ações poderão ser realizadas. 
- Além de privatizar a Petrobras, outras ações poderão ser realizadas. 

Depois de ler a reportagem, chega-se à conclusão de que o chefe da Petrobras havia dito que a privatização da Petrobras é a única ação a ser descartada. Não havia necessidade, então, do uso de "só". Bastaria escrever isto:

- Privatização está descartada, afirma chefe da Petrobras. 

Alguns vocábulos, como "só" e "apenas", têm de ser muito bem analisados antes de serem usados. Observe estas orações:

- Só as garotas irão ao cinema. 
- As garotas só irão ao cinema.
- As garotas irão só ao cinema.

Em cada lugar em que "só" é utilizado, acarreta um significado diferente, por isso deve-se tomar cuidado ao usá-lo. 

Na frase apresentada o problema não é o lugar em que o "só" está, mas a diversidade de significados que ele carrega.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Depois de x Depois que

Um repórter da Globo News disse a seguinte frase: "O advogado só se manifestará depois que ver o vídeo". O uso de "depois" traz uma pequena complicaçâo, que é a formação de locução prepositiva - "depois de" - ou conjuntiva - "depois que". 

Forma-se locução prepositiva com a junção, respectivamente, de uma ou mais palavras com uma preposição. Essa junção tem o mesmo valor de preposição.  Por exemplo: 

- "a fim de", com o mesmo valor de "para";
- "abaixo de", com o mesmo valor de "sob";
- "a respeito de", com o mesmo valor de "sobre". 

Algumas locuções prepositivas agem como se fossem preposições, mas não têm correspondência com uma delas especificamente, como ocorre com "de acordo com" e com "depois de". 

Forma-se locução conjuntiva com a junção de duas ou mais palavras com o mesmo valor de uma conjunção. Por exemplo: "A fim de que"; "apesar de que"; "se bem que"; "depois que". 

O uso de uma ou de outra acarreta a mudança da estrutura verbal da oração encabeçada por elas. 

Caso se use uma conjunção ou locução conjuntiva, o verbo terá de ser conjugado no modo indicativo ou no subjuntivo. 

Caso a conjunção ou a locução conjuntiva seja substituída por uma preposição ou locução prepositiva, o verbo terá de ficar no infinitivo, flexionado ou não. O não flexionado é o terminado em -ar, -er ou -ir; o flexionado ainda recebe as desinências -es, para "tu", -mos, para "nós", -des, para "vós", e -em, para eles, elas, vocês. 

Observe estes exemplos:

- A fim de que conseguíssemos o resultado pretendido, renovamos as energias. 
Como foi usada a locução conjuntiva "a fim de que", o verbo "conseguir" foi conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo. 

- A fim de conseguirmos o resultado pretendido, renovamos as energias. 
Como foi usada a locução prepositiva "a fim de", o verbo "conseguir" foi conjugado no infinitivo flexionado.

Na frase dita pelo repórter, foi usada a locução conjuntiva "depois que". O verbo, portanto, teria de estar conjugado no indicativo ou no subjuntivo, mas está no infinitivo. 

O adequado, então, seria usar a locução prepositiva "depois de":

- O advogado só se manifestará depois de ver o vídeo. 

Ou conjugar o verbo adequadamente. Como a frase indica uma hipótese futura, o tempo conveniente é o futuro do subjuntivo, que é "vir":

- O advogado só se manifestará depois que vir o vídeo. 

O futuro do subjuntivo provém da terceira pessoa do plural - eles - do pretérito perfeito do indicativo, o popular passado, retirando-se a terminação "-am". Essa pessoa do verbo "ver" é "viram", pois "Ontem eles viram"; retirando-se "-am", forma-se o futuro do subjuntivo: "vir". 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Elementos repetidos

A Reforma Ortográfica sofreu modificações antes mesmo de se tornar oficial: em janeiro de 2010, a Academia Brasileira de Letras publicou 15 mudanças no Acordo Ortográfico. Entre elas está a seguinte:

Incluir no caso 1° da Base XV o emprego do hífen nos compostos formados com elementos repetidos, com ou sem alternância vocálica ou consonântica de formas onomatopeicas, por serem de natureza nominal, sem elemento de ligação, por constituírem unidade sintagmática e semântica e por manterem acento próprio: 

blá-blá-blá, reco-reco, zum-zum, zum-zum-zum, lenga-lenga, ti-ti-ti, fru-fru, pingue-pongue, lero-lero, tico-tico.

domingo, 17 de julho de 2016

Vim x Vir

A apresentadora dum programa de TV disse a seguinte frase: "Você vai sair de casa para vim enfrentar...". Logicamente ela tem conhecimento do uso adequado do verbo "vir". O que ocorreu é o que denominamos de vício de linguagem, especificamente barbarismo, que é, segundo o dicionário Michaelis, "o uso de palavras estranhas ao idioma, quer na forma, quer na significação; emprego dessas palavras que apresentam erros ortoépicos, gráficos, gramaticais e/ou semânticos". 
A forma verbal "vim" refere-se à primeira pessoa do singular (eu) do pretérito perfeito do indicativo, o popular 'passado':

- Ontem vim até aqui duas vezes. 

A forma verbal que ela deveria ter usado é a que denominamos de infinitivo não flexionado, sempre terminada em "-ar, -er, -ir", com exceção de "pôr" e seus derivados:

- Você vai sair de casa para vir enfrentar...

Quando houver preposição - "para, de, a, por, etc." - e posteriormente a ela, uma forma verbal, esta terá de estar no infinitivo, seja flexionado (que tem as desinências  "-es, -mos, -des e -em) ou não flexionado. 

- Era para ele chegar mais cedo. 
- Era para nós chegarmos mais cedo. 
- No momento de ir à forra, perdeu o ânimo. 
- Na hora de o sol se pôr, o céu fica lindo. 

sábado, 16 de julho de 2016

Hífen - regras básicas

Com a Reforma Ortográfica, nada se modificou tanto quanto as regras de hífen, que se tornaram a 'pedra no meio do caminho' daqueles que já terminaram o Ensino Médio e trabalham com a língua escrita no dia a dia (locução que perdeu os hífenes; não se escreve mais "dia-a-dia"). 

Foi perda total! Tudo que aprendemos nas carteiras escolares tem de ser esquecido, e um novo estudo deve ser realizado. E, para piorar, a Academia Brasileira de Letras demorou para divulgar oficialmente as quinze mudanças que ocorreram no Acordo Ortográfico, documento assinado pelo então Presidente da República em setembro de 2009; somente em janeiro de 2010 tais mudanças vieram a público - Veja em "Nota Explicativa" na página http://www.academia.org.br/nossa-lingua/vocabulario-ortografico.

O que era difícil se tornou complicado, pois livros e dicionários publicados de setembro de 2009 a fevereiro de 2010 se tornaram obsoletos com apenas algumas semanas de existência. Por exemplo, quem adquiriu o dicionário Aurélio, publicado no finalzinho de 2009, encontrará com hífenes as locuções em geral, mas eles foram retirados - pé de moleque, dia a dia, à toa, mula sem cabeça, etc. As exceções são as espécies botânicas e zoológicas (cana-de-açúcar, cachorro-do-mato...) e estas: água-de-colônia, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-de-meia, à queima-roupa e cor-de-rosa. 

Para os jovens estudantes que ainda não tiveram contato com as regras sobre hífen, porém, ficou mais fácil aprendê-las: antes, era necessário memorizar 39 prefixos e radicais para usar adequadamente o hífen; com a Reforma Ortográfica, grosso modo, basta saber o seguinte:

1- Se houver a junção de duas palavras autônomas - aquelas que podem ser usadas sozinhas -, para formar uma composta, usa-se o hífen: ama-seca, obra-prima, ano-luz, diretor-geral, carro-chefe. 

2- Se houver a junção de duas palavras autônomas para formar uma composta, sendo a segunda iniciada por vogal, e entre elas houver a preposição "de", esta se reduzirá com o uso de apóstrofo - d' - e o hífen será usado: caixa-d'água, galinha-d'angola, estrela-d'alva. 

3- Se houver a junção de duas palavras, sendo a primeira não autônoma, ou seja, que não se use isoladamente, como auto, mini, mega, penta, etc., obedece-se às seguintes regras:

A- Se a palavra não autônoma for terminada em vogal, haverá hífen se a segunda palavra for iniciada pela mesma vogal - micro-ondas, arqui-inimigo - ou por "h" - mini-horta. 
Portanto sem hífen em autoescola, semiextensivo, intrauterino...

Se a palavra não autônoma for "co, re ou pre - sem acento", não se usará o hífen: coordenador, reeducação, preencher

Quando a palavra seguinte se iniciar por "s" ou por "r", essas consoantes se repetem: autorretrato, antissemita, ultrassonografia. 

B- Se a palavra não autônoma for terminada em consoante, haverá hífen se a segunda palavra for iniciada pela mesma  consoante - circum-murado - por "h" - super-herói - ou por "r" - sub-rede. 

Se a palavra não autônoma for "trans, an, des ou in" não se usará o hífen: transexual, anistórico, desumano, inábil. 

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Diferençar x Diferenciar

Diferençar x Diferenciar 

Ambos os verbos existem e têm o mesmo significado. Veja o que dizem os dicionários:


Ontem conversámos com ele.

Forma verbal terminada em "-mos", cujo sujeito é "nós", conjugada no pretérito perfeito do indicativo, o popular 'passado', passou, em virtude da Reforma Ortográfica, a ter acento agudo facultativo para diferençar da forma homônima do presente do indicativo, tempo que indica uma ação corriqueira. 

A forma "demos" no presente do subjuntivo, tempo que caracteriza uma hipótese presente, passou a ter acento circunflexo facultativo, para diferençar da forma homônima do pretérito perfeito do indicativo. 

- Os presentes, demo-los aos meninos. 
Essa forma está no pretérito perfeito do indicativo. 

- Espero que nos demos bem. / Espero que nos dêmos bem. 
Essa forma está no presente do subjuntivo, por isso pode ter acento ou não. 

- Encontramo-nos toda semana. 
Essa forma está no presente do indicativo. 

- Ontem nos encontramos. / Ontem nos encontrámos. 
Essa forma está no pretérito perfeito do indicativo, por isso pode ter acento ou não. 

- Sempre que os amigos nos visitam, deixamo-los à vontade. 
Essa forma está no presente do indicativo. 

- Ontem, deixamo-los à vontade. / Ontem deixámo-los à vontade. 
Essa forma está no pretérito perfeito do indicativo, por isso pode ter acento ou não. 

- Nas noites em que saímos com nossas filhas, levamo-las para jantar. 
Essa forma está no presente do indicativo. 

- Ontem levamos nossas filhas para jantar. / Ontem levámos nossas filhas para jantar. 
Essa forma está no pretérito perfeito do indicativo, por isso pode ter acento ou não. 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Forma verbal terminada em -mos.

Forma verbal terminada em "-mos", cujo sujeito é "nós", seguida de pronome oblíquo átono - me, te, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes - só perde o "s" diante de "o, a, os, as", que se transformam em "lo, la, los, las", e de "nos". 

- Os presentes, demo-los aos meninos. 

A forma "demo-los" é  correspondente a "demos eles - os presentes". Como os pronomes "ele, ela, eles, elas" não funcionam como complemento de verbo, em seu lugar se usam "o, a, os, as". 

- Encontramo-nos toda semana. 
- Sempre que os amigos nos visitam, deixamo-los à vontade. 
- Nas noites em que saímos com nossas filhas, levamo-las para jantar. 
- Demos-lhes os presentes. 
- Trouxemos-te o que pediste.