sábado, 19 de abril de 2014

Paz coa família!

A preposição "com" e os artigos "a" e "as" podem aglutinar-se, formando "coa" = "com a" e "coas" = "com as", como na frase apresentada: "Paz com a família" = "Paz coa família". 

terça-feira, 8 de abril de 2014

"Tsunami" não tem acento.

As paroxítonas terminadas em "i" são acentuadas, seguidas ou não de "s": táxi, júri, biquíni, tênis. "Tsunami", por ser palavra japonesa, não é acentuada. "Maremoto" é a palavra equivalente na Língua Portuguesa.  

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A mulher foi o pivô do crime.

O substantivo pivô - principal agente - é masculino (o pivô), seja usado a homem ou a mulher. O mesmo ocorre com ídolo, cônjuge, modelo, camelô e  carrasco

sexta-feira, 28 de março de 2014

Gostei d'Os Lusíadas.

A Reforma Ortográfica apresenta duas escritas em nomes de publicações iniciados por artigo: com ou sem apóstrofo: "Gostei d'Os Lusíadas" ou "Gostei de Os Lusíadas

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Desmitificar x Desmistificar

Desmitificar: Interromper a conversão de um mito (pessoa ou fato super-apreciado; ideia falsa; representação de um estádio ideal da humanidade). 
- "Desmitificar Che Guevara";
- "Desmitificar dietas milagrosas";
- "Desmitificar a Idade do Ouro"
Desmistificar: Livrar de um engano, de um abuso de credulidade. 
- "Desmistificar os discursos políticos"

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sujeito oculto

Há três tipos de sujeito oculto:
1) Perguntando-se ao verbo quem é o sujeito e obtendo-se como resposta, sem surgir na oração, eu, tu, ele, nós e vós. 
2) Quando o sujeito do verbo não surgir na oração e for o mesmo de alguma oração anterior. 
3) Com verbo no imperativo (ordem, pedido, conselho, apelo), menos com "Basta de" e "Chega de", que não têm sujeito. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Ele vive à custa do sogro.

Usa-se "à custa de" só no singular, no sentido de "com esforço": "...à custa de muito trabalho"; "com força ou poder": "...à custa de discussão"; "recursos": "...à custa do sogro" = "...a (ou às) expensas do sogro".

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Essa lei ainda vige no Brasil?

O verbo viger - estar em vigor, ser vigente - só se conjuga com e ou i depois do g: vige, vigem, vigia, vigiam, vigeu, vigeram. Não há vijo, vijam, etc. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Divirjo de sua opinião, mas respeito-a.

Divergir (estar em desarmonia), convergir (ir para o mesmo ponto) e aspergir (borrifar) têm conjugação semelhante à de preferir: prefiro, divirjo, convirjo, aspirjo. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Agradeço-lhe o que vivemos juntos, Teté.

"Agradecer" exige a preposição "a" diante da pessoa: "Agradecer algo a alguém". Ou se substitui a pessoa por "lhe". Não se usa "por" diante da coisa agradecida. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

4 coisas se compram.

"Comprar" é um verbo ativo. Se o sujeito sofrer a ação de "comprar", tem de se usar "se" ou "ser + -ado/-ido": "4 coisas se compram = compram-se 4 coisas = 4 coisas são compradas".

sexta-feira, 1 de novembro de 2013












Um breve estudo sobre adjetivos.


O adjetivo é simples quando formado por apenas um radical; composto, por dois.

O adjetivo é primitivo quando não provém de outra palavra da Língua Portuguesa; derivado, quando provém.

Por exemplo, o adjetivo nova é simples e primitivo; o adjetivo amigável é simples e derivado, pois provém de “amigo”; o adjetivo óbvio é simples e primitivo.

 

Quando o adjetivo é empregado de forma a enaltecer a qualidade, diz-se que é usado no grau superlativo absoluto. Se houver duas palavras, superlativo absoluto analítico; se houver uma, superlativo absoluto sintético. Por exemplo, o adjetivo “novo” no superlativo absoluto analítico é “muito novo”, “novo demais”; no superlativo absoluto sintético, “novíssimo”.

 

O adjetivo composto concorda com o substantivo em gênero e número, mas somente o último elemento variará; os demais ficarão na forma masculina, singular. Por exemplo: “Faixas verde-escuras; divergências político-religiosas.

Alguns adjetivos compostos são invariáveis: os que têm como segundo elemento um substantivo, como em “olhos verde-mar”, “fantasias amarelo-ouro”, “rodas-gigantes cor-de-rosa”, e os adjetivos compostos “azul-marinho e azul-celeste”.

Outros adjetivos compostos variam nos dois elementos. É o que ocorre com “surdo-mudo” e com “pele-vermelha”: “crianças surdas-mudas”; “índios peles-vermelhas”.

 

É chamado de superlativo relativo de superioridade o uso do adjetivo com as expressões “o mais, a mais” e de superlativo relativo de inferioridade com as expressões “o menos, a menos”.

Arcadismo ou Neoclassicismo

O nome Arcadismo se refere à Arcádia, região pastoril do Peloponeso, na Grécia. O nome Arcádia provém de Arcas, filho de Zeus.
Poeticamente, Arcádia seria um país imaginário, onde reinaria a felicidade e a simplicidade e onde haveria um modo de vida natural, não corrompido pela sociedade, habitado por pastores em comunhão com a natureza.  Os artistas da época tinham-no como o próprio paraíso.

A principal característica desse movimento literário é a exaltação da natureza e de tudo que lhe diz respeito. Os poetas adotavam pseudônimos pastoris, de pastores gregos e latinos  (fingimento poético). É o mito do homem natural em oposição ao homem corrompido pela sociedade (O bom selvagem, de Jean-Jaques Rousseau).

Contexto histórico-social

1- Ascensão da burguesia e queda da nobreza;
2- Valorização da ciência e do espírito racionalista;
3- Enciclopedismo - Voltaire, Diderot, D'Alembert, Montesquieu.
4- Revolução Industrial;
5- Independência dos EUA;
6- Revolução Francesa;
7- Inconfidência Mineira e revolta em muitas colônias americanas.

Características do Arcadismo

1- Retomada dos modelos clássicos da Antiguidade;
2- Fingimento poético: usode pseudônimos pastoris. É mais um estado de espírito, uma posição político-ideológica.
3- Presença da mitologia pagã e uso de frases latinas;
4- Inutilia truncat - cortar o inútil: Literatura mais simples, em oposição aos exageros barrocos;
5- aurea mediocritas - mediocridade áurea: Valorização das coisas cotidianas
6- Fugere urbem - fugir da cidade: Valorização do meio campestre.
7- Locus amoenus - refúgio ameno: Valorizacão de uma vida simples, bucólica (referente à natureza), pastoril;
8- Carpe diem - aproveite o momento: Valorização do momento presente;

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O crime do Padre Amaro.

Para ver o estudo sobre o livro O crime do Padre Amaro clique aqui.

Verbos e vozes verbais



Transposição de vozes verbais:

Diz-se que a oração está na voz ativa, quando o sujeito pratica a ação verbal, e na passiva, quando a sofre. Por exemplo, em “O funcionário reviu o processo”, a oração está na ativa, pois o sujeito “o funcionário” praticou a ação de rever o processo; em “O processo foi revisto pelo funcionário, na voz passiva, pois o sujeito “o processo” sofre a ação.
A transposição de uma voz a outra é bem simples: Para passar da ativa para a passiva, acrescenta-se o verbo “ser”, mantendo-se o mesmo tempo e modo do verbo da voz ativa e põe-se o termo que sofre a ação como sujeito. Na frase apresentada, o verbo “rever” está conjugado no pretérito perfeito do indicativo; o verbo “ser”, então, tem de estar também no pretérito perfeito: “foi”. Para passar da passiva para a ativa, faz-se o contrário: retira-se o verbo “ser”, mantendo-se o outro verbo no mesmo tempo e modo, e põe-se o termo que pratica a ação como sujeito.
A frase “Dois funcionários devem rever o processo” está na voz ativa, pois o sujeito “dois funcionários” pratica a ação verbal. Para passar para a passiva, acrescenta-se o verbo “ser”, mantendo-se o mesmo tempo e modo, e põe “o processo” como sujeito: “O processo deve ser revisto pelos dois funcionários”.
A frase “Os ensaios estão sendo traduzidos por uma equipe de profissionais muito competentes” está na voz passiva, pois o sujeito “o processo” sofre a ação verbal. Para passar para a voz ativa, retira-se o verbo “ser”, mantendo-se o mesmo tempo e modo, e põe-se “uma equipe de profissionais muito competentes” como sujeito: “Uma equipe de profissionais muito competentes está traduzindo os ensaios”.

Verbos derivados de ter, pôr, vir e ver:

Um verbo é derivado de outro quando mantém as mesmas características estruturais deste. Por exemplo, será derivado de “ter” todo verbo que for terminado em “tenho” na primeira pessoa do singular do presente do indicativo. De “pôr” o que for terminado em “ponho”. De “vir”, terminado em “venho”. De “ver”, em “vejo”. Todas as pessoas do verbo derivado têm conjugação idêntica à do primitivo. Veja estes exemplos:
Manter: eu mantenho, então ele manteve, nós mantivemos, eles mantiveram, se nós mantivéssemos, quando ela mantiver, ele mantém, eles mantêm.
Propor: eu proponho, então ele propôs, nós propusemos, eles propuseram, se nós propuséssemos, quando ela propuser, ele propõe, eles propõem.
Intervir: eu intervenho, então ele interveio, nós interviemos, eles intervieram, se nós interviéssemos, quando ela intervier, ele intervém, eles intervêm.
Prever: eu prevejo, então ele previu, nós previmos, eles previram, se nós prevíssemos, quando ela previr, ele prevê, eles preveem.
O verbo “prover”, cujo significado é “abastecer”, porém, apesar de a primeira pessoa do singular do presente do indicativo ser conjugada eu provejo, os demais tempos não seguiram a conjugação do verbo “ver”, e sim de qualquer outro terminado em “er”, como escrever: ele proveu, nós provemos, eles proveram, se nós provêssemos, quando ela prover.
O verbo “precaver” é mais ‘estranho’ ainda: no presente do indicativo só há a conjugação das pessoas “nós” e “vós”: nós nos precavemos, vós vos precaveis. No presente do subjuntivo, nenhuma pessoa é conjugada. Nos demais tempos, todas as pessoas são conjugadas como “escrever”: ele se precaveu, nós nos precavemos, eles se precaveram, se nós nos precavêssemos, quando ela se precaver.


Correlações entre alguns tempos verbais:

Alguns tempos verbais “andam juntos”. Por exemplo, quando se usar um verbo no presente do indicativo acompanhado da conjunção integrante “que”, o próximo verbo deverá ser conjugado no presente do subjuntivo. Por exemplo: ‘Espero que ele proponha um acordo”; “É preciso que o Governo mantenha a política salarial”; “É necessário que a polícia intervenha”.
O futuro do presente muitas vezes “anda junto” do futuro do subjuntivo: “Quando você for, eu também irei”; “Se todos se mantiverem calmos, eu também me manterei”.
O futuro do pretérito “anda junto” do pretérito imperfeito do subjuntivo: “Se você fosse, eu também iria”; “Se todos se mantivessem calmos, eu também me manteria”.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Barroco




  • A temática e a linguagem barroca expressam os conflitos experimentados pelo homem do século XVII.
  • A linguagem barroca caracteriza-se pelo emprego de figuras, como a comparação e a alegoria, entre outras.
  • A antítese e o paradoxo são as figuras que a linguagem barroca emprega para expressar a divisão entre o mundo material e o mundo espiritual.
  • As poesias barrocas mantêm uma estrutura formal e rítmica regular.
  • Nas poesias barrocas, é muito comum o poeta enfatizar as ideias opostas.
  • A poesia de Gregório de Matos, associada ao barroco, pode ser dividida em lírica, religiosa e satírica.
  • Gregório de Matos teve grande capacidade de fixar num lampejo os vícios, os ridículos, os desmandos do poder local, valendo-se para isso do engenho artificioso que caracterizava o estilo da época.
  • A sátira de Gregório de Matos investe contra as oportunistas operações dos mercados da época, valendo-se, para isso, das engenhosas construções barrocas, como no poema seguinte:



      O açúcar já se acabou? Baixou.
      E o dinheiro se extinguiu? Subiu.
      Logo já convalesceu? Morreu.
     
      À Bahia aconteceu
      o que a um doente acontece,
      cai na cama, o mal lhe cresce,
      baixou, subiu e morreu.

  • O homem barroco vivia à busca da unidade, seu espírito era dividido entre o idealismo e o apelo dos sentidos, como exemplificam os versos seguintes.


      Anjo no nome, Angélica na cara!
      Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
      Ser Angélica e Anjo florente,
      Em quem, senão em vós, se uniformara?

  • O poeta barroco usava do jogo metafórico próprio do Barroco, a respeito da fugacidade da vida, exaltando o gozo do momento, como exemplificam os versos seguintes:


       Goza, goza da flor da mocidade,
      que o tempo trota a toda ligeireza,
      e imprime em toda a flor sua pisada.

      Ó, não aguardes que a madura idade
      te converta essa flor, essa beleza,
     em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

  • Sabe-se que o Barroco produziu uma literatura que expressa o conflito em face da vida. Em alguns versos se verificam alguns traços desse conflito, a ponto de ele tentar a fusão dos opostos, como em “E na alegria, sinta-se tristeza”
  • Características da obra do poeta barroco Gregório de Matos: Sentido vivo de pecado aliado à busca do perdão e da pureza espiritual; Poesia com força crítica poderosa, pessoal e social, chegando à irreverência e obscenidade; Realça a beleza física da amada e a transitoriedade dessa beleza; Tentativa de conciliar elementos contraditórios e a busca da unidade sob a diversidade.
     A cada canto um grande conselheiro, 
    Que nos quer governar cabana, e vinha, 
    Não sabem governar sua cozinha
    E podem governar o mundo inteiro. 
   (...)
    Estupendas usuras nos mercados, 
    Todos, os que não furtam, muito pobres,
    E eis aqui a Cidade da Bahia.
  • O poema, escrito por Gregório de Matos no século XVII, representa, de maneira satírica, os governantes e a desonestidade na Bahia colonial. 


Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;
Com sua língua, ao nobre o vil decepa:
O Velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

A flor baixa se inculca por tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa,
Mais isento se mostra o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazo a tripa
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.

MATOS, Gregório de. Poemas. Belo Horizonte: Autêntica Ed., 1998. p. 56.

Glossário:
carepa: caspa, sujeira.
galorpa: instrumento utilizado pelos carpinteiros para aplainar madeira.
increpar: censurar

Esse poema pode ser considerado exemplar da estética barroca porque manifesta o rebuscamento próprio do Cultismo.   



Considerando a poesia de Gregório de Matos e o momento literário em que sua obra se insere, pode-se dizer o seguinte:
    Apresentando a luta do homem no embate entre a carne e o espírito, a terra e o céu, o presente e a eternidade, os poemas religiosos do autor correspondem à sensibilidade da época e encontram paralelo na obra de um seu contemporâneo, Padre Antônio Vieira.
    
     Os poemas erótico-irônicos são um exemplo da versatilidade do poeta, mas não são representativos da melhor poesia do autor, mas apresentam a mesma sofisticação e riqueza de recursos poéticos que os poemas líricos ou religiosos apresentam.

    Como bom exemplo da poesia barroca, a poesia do autor incrementa e exagera alguns recursos poéticos, deixando sua linguagem mais rebuscada e enredada pelo uso de figuras de linguagem raras e de resultados tortuosos.

     A presença do elemento mulato nessa poesia resgata para a literatura uma dimensão social problemática da sociedade baiana da época: num país de escravos, o mestiço é um ser em conflito, vítima e algoz em uma sociedade violentamente desigual.


Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,

Da vossa alta piedade me despido,

Porque, quanto mais tenho delinquido,

Vos tenho a perdoar mais empenhado.



Gregório de Matos, “A Jesus Cristo Nosso Senhor”



Observação:

hei pecado = tenho pecado

delinquido = agido de modo errado





Nessa estrofe, o poeta confessa-se pecador e expressa a convicção de que será abençoado com a graça divina.