terça-feira, 6 de outubro de 2009

Breve análise do Hino Nacional Brasileiro

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / de um povo heroico o brado retumbante”

Esses versos que dão início ao Hino Nacional Brasileiro estão sintaticamente em ordem indireta, o que significa dizer que os termos da oração não estão na sequência adequada, que é a seguinte: inicia-se a oração pelo sujeito; logo em seguida, coloca-se o verbo, para, depois, complementar o seu sentido com os complementos verbais, objeto direto e objeto indireto. Depois deles, colocam-se os adjuntos adverbiais.

O sujeito do verbo “ouvir” não é, como muitos julgam ser, “o povo brasileiro” nem “os brasileiros”, e sim “as margens plácidas do Ipiranga”. E o que elas ouviram? Resposta: “O brado retumbante de um povo heroico”.
A ordem direta desses versos, portanto, é a seguinte:

As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.

Observe o significado das palavras:
Plácidas: serenas, tranquilas;
Brado: grito;
Retumbante: que ecoa

Talvez o autor do Hino Nacional tenha querido dizer que a nossa independência ocorrera tranquila, serena, sem revoluções nem guerras, e que o grito dado por D. Pedro I tenha sido representante de todo o povo. Esse grito ecoou, ou seja, foi ouvido ao longe, o mais longe possível.
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“E o sol da liberdade em raios fúlgidos brilhou no céu da Pátria nesse instante”

Esses versos do Hino Nacional trazem as palavras “sol”, “raios”, ”fúlgidos” e “brilhou” como elementos figurados, no significado de “aquilo que apresenta algo com clareza”. E o que foi apresentado? A liberdade, conseguida com a independência do país. O significado de “fúlgidos” é “brilhante, resplandecente”.

O autor usou o pronome demonstrativo “esse”, ligado à preposição “em” (nesse) para indicar que o instante em que o sol brilhou se situa em tempo passado recente, pois a Independência havia acontecido quinze anos antes de ele ter escrito o Hino Nacional.

Os pronomes demonstrativos “esse, essa, isso” indicam tempo futuro ou passado recente.

Os pronomes demonstrativos “este, esta, isto” indicam tempo presente.

Os pronomes demonstrativos “aquele, aquela, aquilo” indicam tempo passado distante.
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“Se o penhor dessa igualdade, conseguimos conquistar com braço forte, em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito a própria morte”

Esses versos são iniciados pela conjunção “se”, que não é condicional, como a primeira vista possa parecer, e sim causal, com o significado de “porque, já que, uma vez que”. Há, também, há a palavra “penhor”, cujo significado é “garantia”. Diz o autor, então, que a garantia de igualdade foi conquistada por nós com braço forte, por isso o nosso peito desafia a própria morte, ou seja, como o nosso peito tem a liberdade, desafia a própria morte porque conseguimos conquistar com braço forte a garantia de igualdade.
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“Brasil, um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança à terra desce, se em teu formoso céu risonho e límpido, a imagem do Cruzeiro resplandece”.

O “se” presente nesses versos não é pronome nem conjunção condicional, e sim conjunção causal, com o significado de “porque, já que, visto que”. Diz o autor que já que a imagem do Cruzeiro do Sul resplandece no formoso, risonho e límpido céu brasileiro, um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança à terra desce, ou seja, a imagem do Cruzeiro nos traz esperança.

Os termos das orações desses versos estão em ordem indireta, ou seja, não estão na sequência adequada para um bom entendimento da frase. A ordem direta das orações é a seguinte: Brasil, um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança desce à terra, se a imagem do Cruzeiro resplandece em teu céu formoso, risonho e límpido.--------------------------------------------------------

“Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso, e o teu futuro espelha essa grandeza”.

Esses versos dizem que o Brasil é grande, belo, forte, impávido colosso. Qual é o significado de impávido colosso?

Impávido é “corajoso, destemido”, e colosso, “grande, gigantesco”.

Como se pronuncia a conjugação de verbo “espelhar”?
Os verbos terminados em “-ejar”, “-elhar” e “-echar” tem a pronúncia do “e” fechada. Pronuncia-se, portanto, “espêlha”.
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“Fulguras, ó Brasil, florão da América”.

Esse verso diz que o Brasil brilha, destaca-se na América. O significado de “fulgurar” é “brilhar’, e de “florão”, “preciosidade” dentre outros significados, portanto, o Brasil se destaca por ser a preciosidade da América, segundo o autor do Hino Nacional.
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“Do que a terra mais garrida, teus risonhos, lindos campos têm mais flores”.

Esses versos do Hino Nacional estão em ordem indireta, ou seja, não se apresentam na ordem adequada de seus termos para um bom entendimento da frase. A ordem direta é a seguinte:

Teus campos risonhos e límpidos têm mais flores do que a terra mais garrida. O significado do adjetivo “garrida” é “elegante”.
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“Brasil, de amor eterno seja símbolo o lábaro que ostentas estrelado”.

Esses versos do Hino Nacional estão em ordem indireta, ou seja, não se apresentam na adequada ordem para um bom entendimento da frase. Antes de colocar as orações em ordem direta, vejamos o significado de algumas palavras:

Lábaro: bandeira;
Ostentar: exibir, tornar aparente

A ordem direta desses versos é a seguinte:
(Que) a bandeira estrelada que o Brasil exibe seja símbolo de amor eterno.
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“Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme quem te adora a própria morte”.

Esses versos do Hino Nacional são de difícil interpretação em virtude da maneira como seus termos foram dispostos nas orações. Quem não foge à luta? Quem não teme o quê? Quem adora o quê?

Claramente se vê que são os filhos que não fogem à luta, mas não são eles que não temem algo, e sim aqueles que adoram o Brasil não temem a própria morte. A adequada interpretação desses versos é a seguinte: Se o Brasil erguer a clava forte da justiça verá que seus filhos não fogem à luta e que os que o adoram não temem morrer.

7 comentários:

Juliana disse...

Olá professor, sou estudante de Relações Públicas e meu tema de monografia é sobre blogs, em uma pesquisa pela rede acabei encontrando sua página, achei bastante interessante a sua diversificação dos veículos de comunicação para se manter em contato com os públicos.

Gostaria de agradecer por sua iniciativa de fazer este blog, que por sinal é muito útil para os estudos da língua portuguesa e também para elogia-lo pelo trabalho.

Mônica Beatriz disse...

Boa noite!

Muito bom escontrar um escoteiro dando palestra, quando vi a imagem logo de cara acredito ter entendido a analogia antes dos outros......hehehe

Sou Mônica Bestriz, profª de Educação Física do Colégio Stella - Osasco.

Sempre Alerta!
mbss297@yahoo.com.br

ATAIDE NATALIO disse...

OLÁ PROFESSOR DILSON:

OBRIGADO POR SEUS ENSINAMENTOS.
NÃO PODE HAVER LIMITES PARA O CONHECIMENTO E O PROGRESSO INTELECTUAL DO HOMEM.

ATAIDE.

Rokatia Kleania disse...

Aproveito a oportunidade ainda para parabenizá-lo pelo seu blog repleto de ricas informações. Muito bom. Parabéns!

INTERAGIR, APRENDER E CONSTRUIR O CONHECIMENTO!! disse...

Olá Profº Dilson, obrigada por compartilhar tantos textos interessantes conosco, sou sua seguidora e estou sempre indicando o seu blog para os meus alunos, estamos sempre buscando informações junto a esse blog maravilhoso para completar as informações que repasso para nossas discussões em sala de aula.
Que continue lhe abençoando.

Cristina Cavoto disse...

Professor Dilson, Obrigada por sua ana'lise do nosso hino. Aprendi bastante com a sua explicacao. Moro na Califo'rnia e amanha vou falar sobre o Brasil e o nosso hino nacional na aula de "Histo'ria das Ame'ricas" no cole'gio da minha filha. Um Abraco. Cristina Cavoto

gladysmor disse...

Adorei essa explicação para o hino mais lindo do mundo ! Parabéns !