quarta-feira, 4 de junho de 2008

Maxivest II (de 01 a 06)

01- Em qual opção não há erro no emprego do pronome?

  • O diretor mandou eu entrar na sala.
  • Preciso falar consigo o mais rápido possível.
  • Cumprimentei-lhe assim que cheguei.
  • Ele só sabe elogiar a sim mesmo.
  • Após a prova, os candidatos conversaram entre eles.

- Sujeito acusativo: quando um verbo no infinitivo ou no gerúndio tiver a ação dependente de verbo causativo (fazer, mandar, deixar, etc.) ou de verbo sensitivo (ver, ouvir, sentir, etc.), seu sujeito será denominado de sujeito acusativo. Este poderá ser representado por um substantivo ou por um pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, nos, vos, os, as), dentre outros. Jamais o sujeito acusativo pode ser representado por um pronome do caso reto (eu, tu, ele...): O diretor mandou-me entrar na sala.

- si, consigo: esses pronomes são sempre reflexivos ou recíprocos, ou seja, só podem ser usados se o sujeito praticar a ação sobre si mesmo (reflexivo) ou quando o sujeito estiver no plural e representar ação recíproca: Ele só sabe elogiar a si mesmo; Após a prova, os candidatos conversaram entre si. Não sendo reflexivo nem recíproco, deve-se usar com você(s), com ele(s), com ela(s): Preciso falar com você o mais rápido possível.

- lhe, lhes: pronomes oblíquos átonos que representam complementos verbal e nominal encabeçados pela preposição a exigida por verbo transitivo indireto, aquele que exige complemento preposicionado (Ex.: obedecer a algo/alguém), por substantivo abstrato (Ex.: ter respeito a algo/alguém) ou por adjetivo (Ex.: ser favorável a algo/alguém): Aos regulamentos, obedeço-lhes; Tenho-lhe respeito; Sou-lhe favorável.

Representam também elementos encabeçados pela preposição de em indicação de posse (algo de alguém): Cortaram-lhe os cabelos = Cortaram os cabelos dele = Cortaram os seus cabelos.

- o, a, os, as: se o verbo for transitivo direto, aquele que exige complemento não preposicionado, este não será representado por lhe, lhes, e sim por o, a, os, as: Cumprimentei-o assim que cheguei: Quem cumprimenta, cumprimenta alguém.

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02- Em qual opção houve erro no emprego do pronome?

  • Ele entregou um texto para mim corrigir.
  • Para mim, a leitura está fácil.
  • Isto é para eu fazer agora.
  • Não saia sem mim.
  • Entre mim e ele há uma grande diferença.

- Eu / tu: usam-se esses pronomes somente quando exercerem a função de sujeito: Ele entregou um texto para eu corrigir; Isto é para eu fazer agora.

- Mim / ti: usam-se esses pronomes quando não exercerem a função de sujeito: Para mim, a leitura está fácil; Não saia sem mim; Entre mim e ele há uma grande diferença.

Esses pronomes (mim / ti) podem ser usados antes de verbo no infinitivo, caso exerçam a função de complemento de verbo transitivo indireto (custar para ou a alguém; bastar para ou a alguém; restar para ou a alguém; faltar para ou a alguém) ou a função de complemento de adjetivo que acompanha verbo de ligação (ser ou estar, principalmente): Custou para mim aceitar a situação; Basta para mim ter você ao meu lado; Resta para mim pagar as dívidas; Falta para mim trazer alguns documentos.

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03- Em qual opção não pode haver próclise?

  • Não entristeças + te.
  • Deus favoreça + o.
  • Espero que faça justiça + se.
  • Meus amigos, apresentem em posição de sentido + se.
  • Ninguém faça de rogado + se.

Na Língua Portuguesa a próclise (uso do pronome oblíquo átono antes do verbo) só não pode ocorrer em início de frase. É, portanto, inadequada a próclise em Meus amigos, se apresentem em posição de sentido. A função de vocativo, por ser isolada por vírgula, não anula a próclise, e a expressão Meus amigos exerce tal função: Não te entristeça; Deus o favoreça; Espero que se faça justiça; Meus amigos, apresentem-se em posição de sentido; Ninguém se faça de rogado.

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04- Em qual opção não há pronome relativo?

  • O que queres não está aqui.
  • Temos que estudar mais.
  • A estrada por que passei é estreita.
  • A prova que faço não é difícil.
  • A festa a que assisti foi ótima.

Os pronomes relativos (que, quem, qual, onde, quanto e cujo) estabelecem uma relação sintática entre o substantivo anterior a eles (ou pronome substantivo) e o verbo posterior a eles. É, portanto, obrigatória a presença de um substantivo (ou de pronome substantivo) imediatamente antes do pronome relativo, podendo haver entre eles somente uma preposição ou uma locução prepositiva. Na frase Temos que estudar mais, o termo que não é pronome relativo por não haver um substantivo nem um pronome substantivo antes dele. Esse que não é considerado recomendável, apesar de ser bastante usado no Brasil. O mais recomendável é que se use ter de: Temos de estudar mais. O termo que, então, por estar no lugar da preposição de, funciona como preposição.

Em todas as outras frases há relação sintática entre o substantivo e o verbo: A estrada por que passei é estreita: eu passei pela estrada; A prova que faço não é difícil: a prova não é difícil; A festa a que assisti foi ótima: a festa foi ótima. Em O que queres não está aqui, o termo o é pronome demonstrativo, pois pode ser substituído por aquilo. Sempre que houver pronome demonstrativo antes de que, este será pronome relativo. O que, isso que, isto que, aquilo que, aquele que, aquela que...

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05- Em quais opções que é pronome relativo?

Conheci que (1) Madalena era boa em demasia. A culpa foi desta vida agreste que (2) me deu uma alma agreste. Procuro recordar o que (3) dizíamos. Terá realmente piado a coruja? Será a mesma que (4) piava há dois anos? Esqueço que (5) eles me deixaram e que (6) esta casa está quase deserta.

Nas opções (1), (5) e (6), não há substantivo nem pronome substantivo antes de que; não é, portanto pronome relativo em nenhuma delas.

Nas opções (2), (3) e (4):

(2): "... vida agreste que me deu uma alma agreste": Há relação sintática entre o substantivo anterior (vida) e o verbo dar: a vida agreste me deu uma alma agreste.

(3): "... o que dizíamos" = dizíamos aquilo. Sempre que houver pronome demonstrativo antes de que, este será pronome relativo.

(4): "... a mesma que piava...": mesma é um pronome demonstrativo de reforço = aquela que piava. Sempre que houver pronome demonstrativo antes de que, este será pronome relativo.

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06- Em qual opção a palavra destacada é pronome?

  • O homem que chegou é meu amigo.
  • Notei um quê de tristeza em seu rosto.
  • Importa que compareçamos.
  • Ele é que disse isso.
  • Vão ter que dizer a verdade.

Quando o que estiver antecedido de substantivo que tem relação sintática com o verbo posterior, será pronome relativo. Portanto, em O homem que chegou é meu amigo, que é pronome relativo: o homem chegou.

- quê: é substantivo, por significa alguma coisa, qualquer coisa. Quando tiver esse significado, além de ser precedido do artigo indefinido um, é acentuado: um quê.

- é que: é partícula expletiva. Quando estiver antecedido do verbo ser no singular, sem sujeito expresso, pode ser partícula expletiva. Será isso quando a expressão é que puder ser eliminada da oração sem prejuízo semântico a ela: Ele disse isso. A partícula expletiva pode ser representada somente pelo que: Ele que disse isso.

- conjunção integrante: Quando o que iniciar oração que exerce a função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo e complemento nominal, sempre será denominado de conjunção integrante. O mesmo acontece com o se: Importa que compareçamos: o verbo importar é intransitivo, pois aquilo que importa, importa. Para se encontrar seu sujeito, pergunta-se que é que importa? Resposta: que compareçamos. Esse é o sujeito de importar; é uma oração que funciona como sujeito, cujo nome é oração subordinada substantiva subjetiva. O que é, portanto, conjunção integrante.

Um comentário:

Daury disse...

Achei ótimo e bem explicado...
Obrigada!!!