sexta-feira, 25 de julho de 2008

Maxivest II (de 29 a 38)

29- Em qual opção o verbo está flexionado incorretamente?

  • O enxoval conviria às noivas dos bairros mais pobres.
  • Não despeças os carregadores antes do desembarque.
  • Os policiais interviram nos protestos dos grevistas.
  • A noiva precaveu-se contra os prejuízos da mudança.
  • Eu expeço, primeiramente, as malas dos estudantes.

Os verbos terminados em –edir têm conjugação idêntica à do verbo pedir, com exceção dos terminados em –gredir, que são conjugados como agredir.

- Não peças, portanto Não despeças os carregadores...

- Eu peço, portanto Eu expeço...

Os verbos derivados têm conjugação idêntica à do verbo primitivo.

Para descobrir se os verbos terminados em vir, em ver e em ter são derivados de vir, de ver e de ter basta conjugá-los na primeira pessoa do singular do presente do indicativo (Tempo que caracterizamos com a frase Todos os dias...): se esta pessoa for terminada em venho, em vejo e em tenho, o verbo será derivado, respectivamente, de vir, de ver e de ter. Por exemplo:

Eu provenho, convenho, advenho, intervenho (verbos convir, advir e intervir): são, portanto, derivados de vir.

Eu prevejo, antevejo, revejo (verbos prever, antever e rever): são, portanto, derivados de ver.

Eu entretenho, retenho, mantenho (verbos entreter, reter e manter): são, portanto, derivados de ter.

- Ele viria, portanto O enxoval conviria...

- Eles vieram, portanto Os policiais intervieram...

Já o verbo precaver, que também pode ser pronominal (precaver-se) tem conjugação especial: No presente do indicativo só existem as pessoas nós e vós: nós precavemos, vós precaveis. É, então, um verbo defectivo. Nos demais tempos tem conjugação idêntica à do verbo escrever:

- Eu escrevi, portanto Eu precavi

- Ele escreveu, portanto Ele precaveu, A noiva precaveu-se...

- Eles escreveram, portanto Eles precaveram

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30- Em qual opção não há erro na voz passiva?

  • Lamentamos que o pouco tempo disponível venha a prejudicar o processo que foi iniciado de forma incorreta.
  • No quarto, já tinham sido espalhados vários colchões pelo chão, para acomodar os parentes que vinham de longe.
  • À distância, viam-se pequenos pontos de luz, a denunciar a presença de casas por ali.
  • Assim que começou a cursar Medicina, sentiu-se atraído para a área de neurologia.
  • A lembrança de sua convivência conosco ia sendo afastada à medida que os afazeres iam nos absorvendo.

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31- "Com o último trompejo do berrante, engarrafam no curral da estrada-de-ferro o rebanho" (Guimarães Rosa). A forma verbal engarrafam se encontra no tempo:

  • Presente do subjuntivo
  • Imperfeito do indicativo
  • Pretérito perfeito do indicativo
  • Presente do indicativo
  • Imperativo afirmativo

Características dos tempos verbais:

Indicativo:

  • Presente: indica ação corriqueira; exprime atualidade. Pode ser caracterizado por uma das frases a seguir: Todos os dias...; Anualmente...; Semanalmente...
  • Pretérito perfeito: ação realizada no passado; terminada no passado. Pode ser caracterizado pelo advérbio Ontem...
  • Pretérito imperfeito: indica ação em curso no passado. Pode ser caracterizado pela expressão Naquela época, todos os dias...
  • Pretérito mais-que-perfeito: indica uma ação ocorrida no passado anteriormente ao pretérito perfeito. Sempre é terminado em ara, era, ira e ora.
  • Futuro do presente: indica ação futura, que certamente acontecerá. Pode ser caracterizado pelo advérbio Amanhã...
  • Futuro do pretérito: era, antigamente, chamado de condicional por depender de uma condição. Por isso pode ser caracterizado pela expressão Se eu fosse você, eu ...ria. Sempre é terminado em ria.

Subjuntivo

  • Presente: indica um desejo de que algo aconteça, por isso pode ser caracterizado pela expressão Espero que...
  • Pretérito imperfeito: indica uma condição, por isso pode ser caracterizado pela expressão Se você ...sse, eu ...ria. Sempre tem a desinência sse.
  • Futuro: indica uma hipótese futura. Participa de oração geralmente iniciada pela conjunção se ou quando: Quando você fizer...

A forma verbal engarrafam, portanto, se encontra no presente do indicativo: Todos os dias eles engarrafam.

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32- "Um prólogo a um livro de versos é cousa que se não lê, e quase sempre com razão." (Sílvio Romero) O verbo :

  • Está na voz passiva e seu sujeito é que.
  • Está na voz ativa, seu sujeito é cousa e seu objeto direto é versos.
  • Está na voz reflexiva,e o sujeito versos pratica e recebe a ação, ao mesmo tempo.
  • Sugere reciprocidade de ação, pois há troca de ações entre os versos e quem os lê.
  • Funciona acidentalmente como verbo de ligação, com predicativo oculto.

Em "... cousa que se não lê", o verbo ler está acompanhado do pronome se. Ler é verbo transitivo direto, pois Quem lê, lê algo. Alguém não lê o quê? Resposta: cousa, que é o objeto direto de ler.

Verbo transitivo direto com objeto direto acompanhado do pronome se forma a chamada voz passiva sintética, em que se é partícula apassivadora e o objeto direto se transforma em sujeito, pois, na voz passiva, quem sofre a ação é o sujeito.

Quando, ao analisar sintaticamente um verbo, procurar qualquer função sintática, encontrar um substantivo (ou palavra substantivada) que esteja antes do verbo e, entre os dois, houver que, quem ou qual, provam-se três coisas:

a- que, quem, qual são pronomes relativos;

b- eles iniciam oração subordinada adjetiva;

c- a função que se estava procurando pertence ao pronome relativo.

Na frase apresentada ocorre tudo isso, ou seja, ao analisar o verbo ler, procurando a função de sujeito, encontramos o substantivo cousa; entre o verbo e o substantivo, há que, que é, então, pronome relativo. Ele inicia uma oração subordinada adjetiva, e a função que procurávamos (sujeito de ler) pertence a ele.

Ler, então, está na voz passiva, e seu sujeito é que.

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33- "Ontem à noite / Eu procurei / Ver se aprendia / Com é que se fazia / Uma balada / Antes d'ir / Pro meu hotel" (Oswald de Andrade: "Balada da Esplanada") Há uma locução verbal nesse texto. Essa locução é:

  • procurei ver
  • ver se aprendia
  • aprendia como é
  • é que se fazia
  • antes de ir

Locução verbal é a junção de dois verbos indicando apenas uma ação ou ligando o sujeito a sua qualidade. O verbo que indica a ação ou a qualidade é o verbo principal; o outro, o verbo auxiliar. Os principais verbos auxiliares são os seguintes: ter, haver, ser, estar, poder, dever, querer e ir.

A locução verbal do texto é procurei ver, pois são dois verbos indicando uma só ação.

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34- conforme o médico nos ........................, seu organismo agora já .................... o cálcio.

  • prevenira – retem
  • previnira – retém
  • provenira – retém
  • previnira – retem
  • prevenira – retém

O verbo prevenir é irregular: ocorre a troca do segundo e por i nas pessoas eu, tu, ele e eles do presente do indicativo, em todo o presente do subjuntivo e no imperativo: todos os dias eu me previno; espero que você se previna; previna-se contra os assaltos! Nos demais tempos, não ocorre essa troca, por isso o adequado é prevenira.

Os verbos derivados de ter e de vir (aqueles cuja primeira pessoa do singular do presente do indicativo é terminada em -tenho e em –venho) têm acento agudo na terceira pessoa do singular do presente do indicativo (ele retém) e acento circunflexo na terceira pessoa do plural do presente do indicativo (eles retêm).

A frase certa, então, é a seguinte: conforme o médico nos prevenira, seu organismo agora já retém o cálcio.

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35- Sem que ninguém tivesse ................, o próprio menino ....................-se contra os falsos amigos.

  • intervindo – precaviu
  • intervindo – precaveio
  • intervido – precaveu
  • intervido – precaveio
  • intervindo – precaveu

Os verbos derivados de ter e de vir (aqueles cuja primeira pessoa do singular do presente do indicativo é terminada em -tenho e em –venho) têm a mesma conjugação de ter e de vir.

Intervir é derivado de vir, pois Todos os dias eu intervenho, e não eu intervo. É, portanto, conjugado da mesma maneira de vir. Basta conjugar vir e acrescentar o prefixo inter- à estrutura verbal: Sem que ninguém tivesse vindo..., então Sem que ninguém tivesse intervindo...

O verbo precaver, que também pode ser pronominal (precaver-se) tem conjugação especial: No presente do indicativo só existem as pessoas nós e vós: nós precavemos, vós precaveis. É, então, um verbo defectivo. Nos demais tempos tem conjugação idêntica à do verbo escrever:

- Eu escrevi, portanto Eu precavi

- Ele escreveu, portanto Ele precaveu, "...o próprio menino precaveu-se contra os falsos amigos".

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36- Caso .................. realmente interessado, ele não ................ de faltar.

  • estiver – haja
  • esteja – houve
  • estivesse – houvesse
  • estivesse – havia
  • estiver – houve

Questão sem resposta, apesar de a Fundação Carlos Chagas ter apresentado a letra D (estivesse – havia).

Na Língua Portuguesa, há algumas interações entre alguns tempos verbais dignas de nota:

- O futuro do subjuntivo interage com o futuro do presente: Quando você for, eu também irei.

- O presente do subjuntivo interage com o futuro do presente: Caso você vá, eu também irei.

- O pretérito imperfeito do subjuntivo interage com o futuro do pretérito (jamais com o pretérito imperfeito do indicativo): Se você fosse, eu também iria (e não Se você fosse, eu também ia).

As interações possíveis na frase apresentada são as seguintes:

Caso estiver realmente interessado, ele não haverá de faltar. (futuro do subjuntivo x futuro do presente)

Caso esteja realmente interessado, ele não haverá de faltar. (presente do subjuntivo x futuro do presente)

Caso estivesse realmente interessado, ele não haveria de faltar. (pretérito imperfeito do subjuntivo x futuro do pretérito)

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37- Se algum dia a .............. chegar arrependida, ................ o teu ódio num forte abraço de perdão.

  • veres – esqueça
  • vires – esquecei
  • veres – esquece
  • vires – esqueça
  • vires – esquece

Frase iniciada pela conjunção condicional se ou pela conjunção temporal quando exige o verbo conjugado no futuro do subjuntivo, tempo que deriva da terceira pessoa do plural (eles) do pretérito perfeito do indicativo (ontem), retirando-se as letras –am.

Ontem eles viram: retirando-se as letras –am, forma-se a estrutura verbal vir. Esta é a base do futuro do subjuntivo: Se eu vir; Quando eu vir.

A segunda pessoa do singular (tu) do futuro do subjuntivo tem a desinência –es: Se tu vires; Quando tu vires.

Imperativo é o modo verbal que indica ordem, pedido, conselho, apelo. Forma-se o imperativo afirmativo de tu e de vós, conjugando o verbo no presente do indicativo e retirando a letra s: Todos os dias tu esqueces; retirando-se a letra s: Esquece o teu ódio.

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38- Quem .................. o Pedro, ou, pelo menos, ................ falar com ele, .............-o em meu nome.

  • ver – poder – advirta
  • vir – puder – adverta
  • vir – puder – advirta
  • ver – puder – adverta
  • vir – poder – adverta

Os verbos ver e poder estão usados em uma hipótese futura. Devem ser conjugados, portanto, no futuro do subjuntivo, tempo que deriva da terceira pessoa do plural (eles) do pretérito perfeito do indicativo (ontem), retirando-se as letras –am.

Ontem eles viram: retirando-se as letras –am, forma-se a estrutura verbal vir. Esta é a base do futuro do subjuntivo: Se eu vir; Quando eu vir; Quem vir o Pedro.

Ontem eles puderam: retirando-se as letras –am, forma-se a estrutura verbal puder. Esta é a base do futuro do subjuntivo: Se eu puder; Quando eu puder; Quem puder falar com ele.

O verbo advertir tem conjugação semelhante à do verbo divertir:

Eu me divirto – Eu advirto

Ele se diverte – Ele adverte

Espero que você se divirta – Espero que você o advirta.

Imperativo é o modo verbal que indica ordem, pedido, conselho, apelo. Forma-se o imperativo afirmativo de você, de nós e de vocês, conjugando o verbo no presente do subjuntivo. O imperativo afirmativo de advertir para você é, portanto, advirta.

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Um comentário:

João Felipe disse...

Ótima explicação!